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domingo, 24 de julho de 2011

Volante e uso de celular: parceria mais que perigosa



A falta de atenção é, sem dúvida, uma das principais causas de acidentes no trânsito. Com os avanços tecnológicos, as distração as quais os motoristas estão sujeitos se multiplicaram e englobam, atualmente, uma série de equipamentos eletrônicos que variam desde o rádio e o dvd portátil até os dispositivos de navegação. No entanto, ainda é o aparelho celular que representa maior risco aos condutores, por exigir do usuário ao mesmo tempo atenção e esforço físico, e por ser um produto relativamente acessível à todas as classes sociais, possuindo um alcance quase que imensurável.

De acordo com o engenheiro especialista em trânsito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Enílson Santos, a prática de falar ao telefone e guiar acarreta um risco de natureza dupla, já que, além de privar o motorista de um dos seus braços, desvia sua atenção do trânsito. "Sem ajuda de um dos braços é difícil de realizar certas manobras e sem o auxílio da concentração muitos comandos necessários podem ser esquecidos. Em resumo, usar o celular ao mesmo tempo em que se dirige um automóvel é extremamente prejudicial à segurança", explica.

Apesar de todos os perigos, grande parte dos motoristas não se intimida e continua agindo de forma errada. Esse é o caso do motorista profissional Rafael Silva, de 20 anos, que diz conhecer os riscos da situação, entretanto, admite que usa frequentemente o telefone enquanto está dirigindo. "Faço e recebo ligações com freqüência enquanto estou no carro e entendo os riscos, mas não posso fazer nada, é uma necessidade do meu trabalho", justifica, afirmando que nunca se envolveu em acidentes de trânsito.

Em Natal, o uso do celular ao volante já possibilitou a aplicação de 3.497 multas somente no primeiro semestre desse ano, o que representa 6,7% do total de penalidades aplicadas até o dia 20 de julho de 2011. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, esse tipo de infração é considerada de gravidade média e é punida com multa de R$85 e a perda de 4 pontos na carteira de habilitação. Conforme levantamentos da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), usar o celular e dirigir é a quarta contravenção mais comum entre os condutores da capital, perdendo apenas para excesso de velocidade, ultrapassagem de sinal vermelho e estacionamento irregular.

O índice contabilizado pelo órgão, no entanto, pode não representar a verdadeira incidência deste tipo de infrações na cidade, observa o agente de trânsito Ernesto Viana. "Posso dizer que em cada cinco carros que passam nas ruas, três são conduzidos por pessoas que estão ao telefone. Se fosse pra punir todos os que cometem essa irregularidade, ia ser necessário um contingente maior de fiscais nas ruas", disse ele.

O profissional comentou também que a irregularidade não é cometida exclusivamente por motoristas de carros e que, apesar de mais ser mais raro, alguns motociclistas já foram flagrados enquanto falavam ao telefone ao mesmo tempo em que guiavam. "Eles normalmente usam fone de ouvido ou bluetooh mas nós conseguimos identificar pela gesticulação característica. Muita gente acha que usando esses aparatos que possibilitam a liberdade das mãos não será multado, contudo, eles também são considerados errados", enfatiza.

Embora saiba que os dispositivos sem fio também são proibidos, a empresária Kênia Castro os considera mais seguros e revela ter planos de adquirir um em breve. "Como meu trabalho exige que eu ande muito de carro, às vezes preciso atender ligações enquanto estou dirigindo. Normalmente procuro parar em algum lugar, mas nem sempre isso é possível. Acho que com a ajuda de um bluetooh os riscos diminuirão, já que terei as mãos livres", afirma ela que, como muitos outros motoristas, faz do carro uma extensão do seu escritório.

Fiscalização mais rigorosa é solução

Na avaliação o engenheiro Enílson Santos, a melhor maneira de fazer com que a prática do uso do celular ao volante diminua é aplicação de uma fiscalização mais rigorosa aos infratores. "A maioria das pessoas que dirigem ao telefone não é multada, por isso elas insistem em continuar a atuar de maneira errada. O que eu defendo é que se apliquem mais notificações. Que se puna todos os que estiverem desrespeitando o Código de Trânsito Brasileiro", afirmou, acrescentando que não é a favor do reajuste do valor cobrado pela multa.

De acordo com ele, entretanto, tal objetivo só poderia ser cumprido com o aumento do efetivo de agentes de trânsito da cidade, que ainda é insuficiente para o trabalho, e com a descriminalização das penalidades por parte da sociedade. "Tem que começar contratando mais fiscais e, em seguida, dissolver do imaginário popular a ideia de que as multas são negativas. As pessoas devem entender que termos como "indústria de multas" são prejudiciais, já que as penalidades só existem para fazer do trânsito um lugar mais seguro, humanizado, e dentro da lei".

Campanha

Apesar de defender mais rigor nas punições, o especialista não descarta o impacto positivo das campanhas e ações educativas que buscam a conscientização dos motoristas. Segundo ele, esse tipo de ação deve ser incentivado e ocorrer sempre em confluência com as ações dos agentes fiscalizadores.

Pesquisas revelam perigo do uso do celular no trânsito

Apesar de ignorados por grande parte dos condutores, os riscos advindos da junção de celular e direção já foram comprovados pelos mais variados estudos internacionais. Nos Estados Unidos, uma pesquisa realizada pelo professor David Strayer, da Universidade de Utah, comprovou que mandar mensagens de texto ao volante pode ser mais perigoso, inclusive, do que dirigir alcoolizado. Segundo seus estudos, os impactos da digitação podem retardar em até 20% o tempo de acionamento do freio dos automóveis.

A investigação também apontou que os motoristas que desempenham várias tarefas ao mesmo tempo possuem quatro vezes mais chances de se envolver em acidente do que aqueles que estão focados apenas na condução.

Inglaterra

Na Inglaterra, os pequisadores do Laboratório de Pesquisa de Trânsito de Berkshire descobriram que os motoristas que utilizam as mãos para falar ao telefone tendem a desacelerar os veículos mais do que os que usam fones de ouvidos.

Além disso, foi comprovado que, em ambos os casos, os motoristas envolvidos em ligações demoram mais para reconhecer sinalizações como placas e faixas de pedestres do que aqueles que simplesmente dirigem.
* Tribuna do Norte

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