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sábado, 19 de novembro de 2011

Jovens são metade das vítimas fatais do trânsito

Roberto Lucena - repórter

Amanhã é o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito. A data, estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é momento de autoridades e sociedade em geral refletir sobre os números de mortos nas estradas de todo o mundo. No Brasil, os índices são preocupantes, especialmente quando observamos a população jovem. Ontem, o Ministério da Saúde (MS) divulgou o levantamento feito em 2009 e constatou que os jovens estão morrendo mais no trânsito. De todas as mortes ocorridas naquele ano, 45,6% correspondem a pessoas entre 20 e 39 anos. No Rio Grande do Norte, os números não são muito diferentes. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 26,76% dos acidentes nas BRs do Estado, entre janeiro e julho desse ano, envolvem jovens com idade de 18 a 25 anos. No Hospital Walfredo Gurgel (HWG), somente em junho desse ano, quase metade das vítimas de acidentes com politraumatismo eram jovens com idade entre 14 e 29 anos.

Aldair Dantas

De todas as mortes ocorridas nas estradas do Brasil, em 2009, 45,6 por cento correspondem a pessoas entre 20 e 39 anos


Segundo o MS, o percentual de mortes se eleva quando somados àqueles que têm entre 15 e 19. O número de mortes sobe para 53,4%. Os números fazem parte da publicação Saúde Brasil 2010, produzida pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde. De acordo com o diretor de Análise de Situação da Saúde do Ministério da Saúde e coordenador do Saúde Brasil, Otaliba Libânio, em 2009, as agressões foram responsáveis por 36,8% das mortes por causas externas entre os brasileiros, sendo a primeira causa entre pessoas com 15 a 39 anos. "Os acidentes de transporte terrestre respondem por 26,5% dos óbitos do grupo. As mortes desse tipo representam a primeira causa de óbitos na população de dez a 14 anos e de 40 a 59 anos, e ocupa a segunda posição de mortes por causas externas nas demais faixas etárias", afirma.
A PRF no Rio Grande do Norte aponta ainda que em relação ao total de número de mortes, no primeiro semestre desse ano - que foram 107 nos 2.313 acidentes - os jovens de 18 a 25 anos eram 13 ou 12,15% do total de mortos. A BR-101 é a rodovia federal com maior número de acidentes - 1.332 -, dos quais 410 envolviam jovens com aquele perfil. O número total de mortos foi de 25 e os de jovens cinco na rodovia. As causas principais de acidentes, segundo o relatório da PRF, são "falta de atenção", "não guardar distância de segurança" e "desobediência à sinalização".
O inspetor da PRF, Everaldo Morais, diz que o principal motivo dos acidentes "é a falta de cumprimento de norma de segurança", como ilustra bem, no trecho urbano da BR-101 bastante colisões traseiras, em virtude de os motoristas não guardaram a distância necessária de um carro para outro. "Andar muito colado no veículo que segue á frente é uma negligência que o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) estabelece".
O Núcleo de Vigilância em Saúde (Nuvisa) do HWG vem realizando um levantamento sobre o número de vítimas de acidentes com politraumatismo que entra no pronto-socorro e, de acordo com estatísticas de junho desse ano, de um total de 438 vítimas, a maior parte é de jovens - 207, na faixa etária dos 14 aos 29 anos ou seja 47,2 %. Desse total, 44 são mulheres e 163 homens. A coordenadora deste trabalho é a médica Rosângela Morais, a qual disse que o levantamento ainda está sendo detalhado, por isso não tem dados precisos sobre as ocorrências. A coordenadora explica que os índices de acidentes preocupam bastante, porque "atingem pessoas que estão numa idade produtiva", além de que elas são vítimas de acidentes que deixam sequelas e um custo muito alto para o país. "Essas pessoas voltam e são internadas diversas vezes", afirmou.

Brasil assina pacto para reduzir vítimas de acidentes

Em maio passado, o Ministério da Saúde e das Cidades assinaram o Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes de Trânsito - Pacto pela Vida. O objetivo é a prevenção de acidentes de trânsito. A meta, segundo o MS, é reduzir o número de mortes e lesões em acidentes de transporte terrestre nos próximos dez anos, que é uma recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), com a coordenação da OMS.
Há também outras iniciativas, como o Projeto Vida no Trânsito, lançado em junho de 2010 nas cidades de Teresina (PI), Palmas (TO), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR).
Outras entidades e a sociedade civil organizada também realizam atividades com o objetivo de diminuir a mortandade no trânsito. Em Natal, um bom exemplo é a campanha "Trânsito na Paz", promovida pelo casal Marecelo e Andréa Almoedo, pais do jovem Alan Almoedo, 17 anos, morto em um acidente de trânsito em fevereiro passado. A iniciativa conta com o apoio do Governo do Estado e foi tema da campanha da Semana Nacional de Trânsito no Rio Grande do Norte. Marcelo explica que o objetivo do projeto não tem uma data para ser alcançado. "É uma campanha para sempre. Jovens estão chegando e adquirindo maneiras de agir pela ausência dos pais. Isso é um trabalho que devemos fazer constantemente. Não tem como parar". O casal, nos próximos dias, vai à Brasília para levar uma proposta de lei que inclua a disciplina de "Cidadania e Trânsito" no currículo escolar.
Com o intuito de formar uma geração de motoristas mais conscientes, escolas particulares oferecem aos alunos aulas de educação no trânsito. Nesse sentido, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu Natal) pretende colocar em prática, nos próximos meses, um novo programa: Projeto Samuzinho.


* Tribuna do Norte

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